quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Arte

O Campo da Arte: reflexões sobre as características da arte.

Francesco Rodrix

Professor de Artes Cênicas
A maioria das pessoas tece considerações sobre as características da arte e sua importância na história das sociedades que distanciam-se cada vez mais das contribuições identificadas nas diversas culturas, relegando a arte, muitas vezes, ao papel de instrumento para outras áreas do conhecimento, esquecendo que a arte é um campo de conhecimento e, por si só, tem seus objetivos, suas funções e papéis. Veremos a seguir as principais características do campo da arte:
- Formação da identidade do sujeito e por tanto, da comunidade na riqueza de suas origens e seus movimentos, afirmando a regionalidade;
- Exercício solidário de partilha das experiências estéticas ante as realidades entrelaçadas das comunidades;
- A manifestação pública ou direcionada as gentes de expressões de suas idéias, sensações e sentimentos como sujeito pertencente a uma comunidade diversa e planetária;
- A prática e aperfeiçoamento do ofício do artista, seu mister em entreter e provocar reflexão e transformação racional e emocional de sujeitos;
- E, até mesmo o entretenimento da ficção.
Essas características fazem da arte um campo de conhecimento distinto da ciência, filosofia, religião e política. O que significa que seu tratamento, usufruto e objetivo difere dos outros campos. A arte possui um viés investigativo assemelhando-se ao campo da ciência, mas não igualando, pois que a ciência se presta, entre outros objetivos, a provar e comprovar idéias e conceitos. Possui um viés questionador análogo ao da filosofia, sua reflexão não permanece no plano das idéias, primando pelo curso da experiência estética. A experiência estética assinala-se como o “ritual sagrado” do fazer e conhecer artístico não objetivando a experiência religiosa. O instante estético vivenciado pelos sujeitos promove a transformação nas diversas dimensões do ser – bio-psico-spirit-socio-cultural – provocando reflexões de cunho moral, podendo modificar hábitos, repensar a sua ação como cidadão que recompõe sua história e sua cultura; e, portanto de atribuição essencialmente política.
A arte, em sua natureza, é educativa e política – “questionadora”. Não se pode dizer que a arte não educa e nem politiza. A participação do sujeito nos processos artísticos o condiciona, bem ou mal, a rever questões não só tratadas pela obra artística a qual ele se dedica, mas questões humanas que emergem a todo instante durante todas as etapas do processo, provocando até mesmo uma “crise existencial”, modificando significativamente suas relações com outros sujeitos e ambientes. E isto indefere se este sujeito é atuante da obra artística ou o espectador/apreciador da mesma obra. Como montar um “Romeo e Julieta” sem discutir as rivalidades familiares, o namoro na adolescência, a violência passional? Como utilizar em cena “Mãe Coragem” de Bertolt Brecht e não ter passado pelo processo de compreensão da relação mãe e filho, da sobrevivência nas guerras? Como não questionar a materialidade e a realidade nas obras de Salvador Dali ou na arquitetura pós-moderna? Como não repensar a própria vida ao ler um Haika ou um koan (poemas japoneses)? Como não se identificar e se emocionar com as novelas Victorianas? Como não se perguntar por quê um sujeito como Leonardo Da Vinci se dedicou tanto a arte como ponto de partida, meio e fim de suas invenções? Será que seríamos todos primatas se não houvessem inventado as vestimentas? Será que teríamos povos alegres sem a música ou a dança? Nos casaríamos? Seríamos amigos uns dos outros? E como provaríamos sabores quase divinos se não houvesse a culinária?
A política partidária eleitoral serve-se da arte como um prato de comida quase que o tempo todo, para convencer, conquistar, lograr, motivar, provocar, trazer para o seu lado ou afastar dos outros lados. Aproveitando que a arte atinge a emoção, a psiquê e a razão, essa a política a utiliza como um instrumento de manipulação. Da mesma forma a arte serve as boas políticas. A arte pode fazer muito bem ou fazer muito mal. Ela não possui um lado, se assim o fosse deixaria de ser arte. Ela depende dos objetivos e da criatividade do sujeito, de seu desejo, sua intenção. Ela fala e se cala. Mostra e esconde para tornar desafiador e misterioso. Encanta e enoja. Educa pelas idéias e pela vivência/experiência. A sua prática é seu trabalho, profissão. A sua profissão e trabalho é a alegria, o prazer e a razão. Seu produto é concreto, material, psicológico, espiritual.
O Campo da arte tem seus pontos de partida que varia de acordo com a vontade dos sujeitos. Este ponto de partida pode ser um texto, uma idéia, uma imagem estática ou em movimento, um som, uma memória, uma vivência, uma observação, números. O ponto de partida pode ser escolhido aleatoriamente ou não. Seja qual for este ponto de partida o sujeito pode iniciar a sua obra, direcionando-a ao meio e fim que desejar. O meio ou processo e o meio contextual (ambiente) para o sujeito-pesquisador é o mais importante, uma vez que neste intervalo entre o começo e o fim as oportunidades eclodem, enriquecendo as experiências de aprendizado, seja este o objetivo ou não do sujeito.

3 comentários:

Anônimo disse...

Clotilde Tavares Disse:
on 06/05/2011 at 1:03 pm · Editar

Alô, Cesco, parabens pelo blog.

Toda vez que houver atualização, envie mensagem para a lista de teatro, é essa insistencia que mantém a visitação.

O grupo de Jesiel Figueiredo chamava-se “Artistas Unidos”.

Na lista, sugiro incluir a Stabanada Companhia de Teatro, da qual fiz parte e o Picadeiro Elenco de Repertório, de Carlos Furtado na década de 1970/80 com muitas montagens geniais. E outros que for me lembrando vou colocando aqui.

Tenho muito material em caasa sobre história do teatro em Natal: recortes de jornais, programas de peças… E tenho minha própria memória, pois participo disso tudo desde 1970.

Qualquer dúvida estou às ordens.

Anônimo disse...

tertuliano Disse:
on 29/04/2011 at 4:16 pm · Editar

Francesco,
recebi e-mail.Grato pelo convite.Tentarei elaborar algo para postar.peça para véscio imprimir alguns tectsos do blog para trabalharmos com os alunos. sucesso!!!

Anônimo disse...

tertuliano Disse:
on 28/04/2011 at 11:14 am · Editar

francesco,
gostei muito do blog.O texto,muito bom.Talvez fosse bom imprimi-lo para os alunos,não?Dê uma espiada em http://tertu.zip.net

disponha dos meus préstimos.sorte!Tertu